[31/08, sexta] VooDoo no Carlitus Bar

Em julho a coisa foi estupenda! Bonecada curtiu, pirou, dançou. Aprovou! E em agosto atracamos novamente no Menino Deus, proporcionando mais uma noite de catarse no novo inferninho de Porto Alegre, o Carlitus Bar.

Pra celebrar a conquista destas terras convidamos um dos nossos. Dr. Caiaffo, amigo de fé irmão camarada, volta do Velho Mundo direto pro novo território, trazendo novas e velhas pepitas do bom petróleo garimpado em solo germânico. É mês do seu aniversário, total animação na expectativa de mais uma noite de boa festa, sorrisos e camaradagens na companhia de Oster e da família VooDoo. O transe ronda a área, a pista nos espera com sapatos confortáveis e, desta vez, reforçados; tememos fumaça nos toca-discos!

Vem com a gente hastear a bandeira black no Menino Deus. Bandeira pirata, contra a mesmice.

É a bandeira da VooDoo! O pesadelo do pop!


SERVIÇO

Bonde VooDoo no Carlitus Bar
Seletor residente: Oster
Convidado: Dr. Caiaffo
Quando: 31/08, sexta, 23h
Local: Carlitus Bar (Av. Getúlio Vargas, 94 – Menino Deus)
Quanto: $25 na hora | $15 antecipado
Pontos de venda:
DonutsShop (Lopo, 108 – Cidade Baixa - 3086.0225/10h30 às 19h30)
Pandorga (Miguel Tostes, 897 – Rio Branco - 3086.0746/10h às 20h)
Beatnik (Shopping Total, lj 2186, 2° piso - 3018.7686/10h às 22h)
Vulgo Store Moinhos de Vento (Pe. Chagas, 318 – 3014.1757/10h às 22h)

 

Poster: ritualvoodoo. Category: divulgação. Tags:, ,
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28 agosto

[13/05, domingo] Ritual VooDoo #30 convida Heikki Eiden (Finlândia)

Foi Dia do Trabalho e nem tivemos tempo pra descanso!

O segundo domingo tá aí, o calor do Ritual volta à pista do nosso Templo e, creiam, vai ser especialmente fino.

Pela primeira vez a VooDoo recebe um DJ originalmente internacional. Heikki Eiden, produtor e DJ finlandes, pesquisador e colecionador de discos e compactos raros, fala português perfeito (quase, ele é finlandes e viveu na Alemanha, gente). Vive a funk music em todas as línguas, mas gosta mesmo é do idioma universal da dança quente e safada na pista dum funk club, tirando todo o suor possível dos poros e instigando os pés e a mente. Produtor de artistas internacionais como nada mais, nada menos que Sharon Jones, vem pra VooDoo com um curriculum vasto, tendo apresentado seus venenos e raridades por casas de Alemanha, Suécia, Finlândia, Lituânia, Bélgica, França, Espanha, Itália… e Brasil.

Não para por aí. Maio é o mês no qual nosso DJ residente atinge uma marca cabalística em sua curta (nem tão curta assim!) presença na Terra. Completando 30 aninhos com muita alegria, toda a bonecada grooveira tá convidada a participar desse “Ritual de passagem” em sua vida. Não deixa de comparecer e dar um abraço no Oster, pois é chato faltar a festa de aniversário, hein? Depois ele vai viajar e tu não vai achá-lo nem pra te desculpar!

Tem mais: de breve passagem pelo pago, nosso irmão Dr. Caiaffo nos brinda com sua presença e vai fazer a abertura da noite. Também estaremos recolhendo agasalhos pra dar um pouco do nosso calor pra gente que necessita. Então chega cedo, ganha uma cerveja cortesia (cem primeiros) e adere a essa bela causa!

Bueno, se falta motivo pra te levar à esquina clássica do Bom Fim na nossa domingueira, te puxa. Pois desculpa, dessa vez, não vai colar. E Ritual como esse vai demorar.

Pra pista, com sapatos confortáveis!

 

SERVIÇO

Ritual VooDoo #30
Seletores: Oster (residente) & Dr. Caiaffo
Convidado: Heikki Eiden (Finlândia)
Quando: 13/05, domingo, 21h
Local: Ocidente, João Telles esquina Osvaldo Aranha
Quanto: $25 na hora | $20 antecipado
Pontos de venda:
DonutsShop (Lopo, 108 – Cidade Baixa - 3086.0225/10h30 às 19h30)
Pandorga Loja Coletiva (Miguel Tostes, 897 – Rio Branco - 3086.0746/10h às 20h)
Cozinha de Afrodite (João Telles esq. Henrique Dias – Bom Fim - 3377.8883/17h às 22h)
Loja Beatnik (Shopping Total, loja 2186, 2º piso – 3018.7686/10h às 22h)
Vulgo Store Moinhos de Vento (Pe. Chagas, 318 – 3014.1757/10h às 20h)
Vulgo Store Iguatemi (3085.5310 - seg a sáb 10h às 22h/dom 14h às 20h)
Chilli Beans Barra Shopping (3257.9017 - seg a sáb 11h às 23h/dom 14h às 20h)

: : Os 100 primeiros pagantes levam uma cerveja cortesia : :

 

A arte desse Ritual foi obra do André Chaves.

 

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9 maio

[24/03, sábado] 2ª VooDoo nos Trilhos – 2 anos da VooDoo, 27 do Trensurb e 240 de Porto Alegre!

Em janeiro dissemos que o ano prometia. 

No fim de fevereiro prometemos grandes novidades nesse ano novo zodiacal.

Pois bem, senhoras e senhores. Após comemorarmos nossos dois aninhos num Ritual “Acima do Normal”, em nova casa, março nos apresenta mais uma celebração memorável em nossa história. Fechando a comemoração de dois anos – e abrindo a curtição do terceiro –, orgulhosamente anunciamos a segunda edição da VooDoo nos Trilhos!

Em maio do ano passado, dentro do Projeto Identidade de Rua, com a grafitagem de um carro da frota, o Trensurb abriu as portas à VooDoo pela primeira vez. Agora, comemorando seus 27 anos, recebe novamente a bonecada grooveira pra tocar o horror na Estação Mercado. E como não somos de brincar de trenzinho, a coisa ficou séria: vai ter peso no vagão! Pra descarrilar de vez essa composição, Oster reedita a fraterna parceria com Dr. Caiaffo, e os dois recebem, novamente, DJ Anderson.

E como, com certeza, não poderia deixar de ser, as plataformas da Estação terão a oportunidade de receber os habilidosos pés da “Lenda Que Dança”. PC Capoeira vai ditar o ritmo do bonde. Mas lembrem-se: sempre cuidando a linha amarela…

Soul Train formando! Equipe furiosa a todo vapor!
As bitolas da Estação Mercado nunca mais serão as mesmas!

E, por que não, “o Centro nunca mais será o mesmo”?

Sim, bonecada. Nessa edição, pra saciar o tesão que inevitavelmente fica contido pela obrigatoriedade do trem partir, dando término precoce a uma festa tão intensa e com clima tão distinto, temos um after party “dos inferno” pra fechar com louvor as comemorações!

Chegadas as 4 da manhã, deixaremos a Estação, sairemos na Praça Revolução Farroupilha, avançaremos a passagem subterrânea rumo à orla e conquistaremos um show espetacular! Fazendo VooDoo num armazém do Cais do Porto, um dos mais belos cartões postais de Porto Alegre, BNegão & Seletores de Frequência! Aí, gente… é curtir e dançar os venenos do ex-integrante do Planet Hemp e de sua respeitada banda, e vibrar sem moderação até o amanhecer de domingo ao lado do nosso Guaíba, no último evento no Cais antes da reforma!

VooDoo 2 anos e Trensurb 27 com muita elegância, num dos pontos mais bonitos do Centro Histórico, na semana de aniversário da nossa querida Porto Alegre!

Dá pra dimensionar?! Embarca com a gente nessa comemoração inesquecível! Como sempre, com sapatos confortáveis…

Pois, bonecada, mais do que nunca nesses 240 anos de vida: Porto Alegre vai ter funk até o caroço!



SERVIÇO

2ª VooDoo nos Trilhos
2 anos da VooDoo, 27 do Trensurb e 240 de Porto Alegre

DJ’s
Oster (residente VooDoo)
Dr. Caiaffo (FuturÁfrica/SP)
DJ Anderson
Data
24/03, sábado
Horário
23h59 até 4h
Local
Estação Mercado/Trensurb (Av. Júlio de Castilhos nº 4, atrás do Mercado Público)

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AFTER
Show do BNegão & Seletores de Frequência
Cais do Porto, Armazém B (pela passagem subterrânea da Praça Revolução Farroupilha, na saída da Estação), a partir das 4h

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Passaportes
1º lote: $60
2º lote: $75
3º lote/na hora: $90
Pontos de Venda
DonutsShop (Lopo Gonçalves, 108 – Cidade Baixa – 3086.0225)
Pandorga Loja Coletiva (Miguel Tostes, 897 – Rio Branco – 3086.0746)
Cozinha de Afrodite (João Telles esquina Henrique Dias – Bom Fim – 3377.8883)
Loja Beatnik (Shopping Total, loja 2186, 2º piso – 3018.7686)
BANX (Alameda Major Francisco Barcelos, 127 – Boa Vista – 3012.7078)

: : Estacionamento no Cais do Porto : :

 

A arte desta edição foi obra do Kadu Doy, com colaboração na letra de PIFO/DION.

 

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17 março

Fotos do Ritual VooDoo 27

Mais um Ritual bonito, com família reunida.

Oster e Dr. Caiaffo, reeditando a formação original da VooDoo, receberam Rafael Malhão, de saída da cidade, pra um Ritual caloroso. Confere as fotos do Peter Krause no nosso álbum do Flickr pra ter noção – ou lembrar de alguma coisa – da bela festa do último domingo.

Agradecemos a todos, desejando um excelente Carnaval, sempre lembrando de cuidados ainda mais importantes pra essa época: camisinha sempre, antes da farra; bebida nunca, antes de dirigir. Pra que possamos partilhar momentos maravilhosos pela frente.

Já no mês que vem: te prepara pro aniversário de dois anos da VooDoo! Vai ser chumbo do grosso! Ah, se vai! Depois não diz que não avisamos!

Fica o toque: depois deste mês de março, Porto Alegre não será mais a mesma…

Beijos e abraços e até a próxima!

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18 fevereiro

[01/02, quarta] Bonde VooDoo no Ocidente #04

Ao que o ano vai pegando no embalo, o Bonde VooDoo chega a toda no Ocidente, novamente.

Na virada do primeiro mês, no meio do verão, véspera do primeiro feriado, defronte à Redenção.

No primeiro de fevereiro, entrando no dia da padroeira da Capital Gaúcha, o Bonde VooDoo leva uma romaria ao Ocidente. Sejam de Nossa Senhora dos Navegantes, sejam de Iemanjá, os devotos da Rainha do Mar a cultuam desde Porto Alegre a Abeokuta, a cidade natal de Fela Kuti. Assim sendo, vamos de formação original: Oster & Dr. Caiaffo comandam a mesa, enquanto o mestre PC Capoeira lidera os ritos na pista consagrada pelos 30 anos de história do templo Ocidental na esquina da João Telles com a Osvaldo Aranha.

No outro palco da paróquia, a parceria é com a Roots, festa que traz o drum’n'bass de volta ao cardápio musical de Porto Alegre. JZK, Navarro, Carlos NC e Chiba Chiba prometem estremecer o OX com sets especiais de dubstep, além de outros estilos que possuam as mesmas influências como o Breakbeat, Funky Breaks, Rap, Dub, Jungle e toda a diversidade das batidas quebradas.

Não é debaixo de sol forte, mas vai ser quente – e lembrem-se, o ar condicionado é realidade.

Sacrifício? Só pra quem não tiver sapatos confortáveis.

Ademais, as homenagens ficam por conta de cada um.

Não é nosso Ritual de domingo, mas é noite santa. E ela vai ser linda.

Amanhecer é inevitável.

A diversão é garantida.

 

SERVIÇO

Bonde VooDoo no Ocidente #04
com Oster, Dr. Caiaffo & PC Capoeira (RJ)
Quando: 01/02, quarta (véspera de feriado), 22h
Local: Ocidente, João Telles esquina Osvaldo Aranha
Quanto: $30 na hora | $20 antecipado na Lancheria do Parque; Donuts Shop (Lopo Gonçalves, 108); Pandorga Loja Coletiva (Miguel Tostes, 897)

Pista Ox: Roots (JZK, Navarro, Carlos NC e Chiba Chiba)

 : : Os 100 primeiros pagantes ganham uma cerveja cortesia! : :

 

A arte desta edição teve ilustração do Seilá PAX.

 

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28 janeiro

WhataFUNK? convida VooDoo

Neste sábado, 14 de janeiro, a VooDoo pega o rumo da Ilha da Magia. A convite da festa-irmã caçula WhataFUNK?, faremos VooDoo com a bonecada de Florianópolis.

E vamos de time completo. Oster & Dr. Caiaffo no som e PC Capoeira no comando da pista. A festa tem ainda como atração a banda de jazz-funk Funk You Too, criada juntamente com a festa, que tem apenas alguns meses de vida e já estão fazendo muito barulho.

Se tu andas pelo litoral catarinense, em especial nas imediações de Floripa, não deixa de conferir essa noite linda no Green Park, na Estrada Geral da Joaquina, a partir das 23h.

E a regra é a mesma: sapatos confortáveis. ;)

Os ingressos saem a 20 mangos. Antecipados a 15 nos seguintes locais:

Shopping Iguatemi
HP STORE (piso L2, prox. a lojas Renner)
Loja 260, falar com Antonio Aderson.
Roots Records CD
Centro Comercial ARS – Fone: 32221134
Lagoa da Conceição
Recicla Print, com Fê Cogo, ao lado do Shopping Via Lagoa.

Confere o blog e o Facebook da WhataFUNK?.

 

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13 janeiro

Um 2011 de VooDoo na cabeça da bonecada

No último dia 25 de dezembro, após celebrarmos o nascimento de Jesus forrando o bucho de peru, chester ou a carne da preferência, fomos de bando pro puteiro fechar o ano.

Bonito mesmo! Na data que marcava 5 anos da morte do guru James Brown, O 1º Baile VooDoo de Natal encerrou com muita elegância (e grandes doses de safadeza) um excelente ano de 2011. Oster, Fred e Dr. Caiaffo detonaram o Madrigal junto com os bailarinos PC Capoeira e Verde, desenhando um PUTA festão! Era tanta música boa, dança, gente animada e trocadilho que os últimos frequentadores foram embora lá pelas 9h30! Confere as fotos do Peter Krause nessa linda noite no álbum do Flickr.

Foi um ano de muito groove. De parcerias memoráveis. Eternas. de Cabaret, de Ocidente, de Opinião. De Trensurb e Madrigal. Foi ano de aprender mais e mais com Kafu, Gê Powers, DJ Edinei. Ano de reforçar laços com Léo Felipe, Malásia, Dante Longo, DJ Anderson, Tonho Crocco, Japonego, Roger Canal, Marceleza, Sassá, DJ Mause e Paulo Muzzi, Fred Lima e Fred Chernobyl. Também foi ano de estreitar laços com Mr. Funky Santos, Lúcio Branco, Leandro Petersen e, de longe, Big Boy. Foi ano cavalar de botar pra quebrar com Gerson King Combo e Funkalister, Funk Como Le Gusta e Vitória Régia. Também de resgate e homenagem com Fela, seu amigo Carlos Moore e a Abayomy Afrobeat Orquestra.

Foi ano de Ipanema! De groove quente e safado pelas ondas da 94.9. De Programa VooDoo!

Foi ano de arte! De contar com o talento do pessoal do Núcleo Urbanóide pra mostrar a cara da VooDoo! Também de sétima arte! De filme institucional da VooDoo produzido pelos irmãos da Catraca Filmes! De apoio por todos os lados, de PressXpress, de Cozinha de Afrodite. De apoio à cultura. De BD Divulgação.

Também foi ano em que Rubim e Oster “perderam” Caiaffo… pra poder ganhá-lo de novo outras vezes. Também ganhar diversas vezes PC Capoeira. De conhecer Bala Machine e Verde. Ano de experimentar diversas formas de amizade, de compartilhamento, de colaboração. De parcerias renovadas e adquiridas. Pra chegar ao final e ver que, com muito esforço e muitas tentativas, com erros e acertos, valeu muito a pena. E ter a certeza de que entraremos 2012 pra manter todas essas conquistas. E batalhar por mais! Mais sorrisos, alegria, mais diversão pura e sincera! Mais difusão de cultura, de conteúdo. Porque acreditamos no trabalho desses conceitos de forma conjunta, valorizando nossa gente, nossas mentes, nossos corpos, nossas almas. E, também, nossa querida Porto Alegre.

Agradecemos a todos que fizeram VooDoo nesse ano de 2011. E que, com certeza, farão mais ainda em 2012!

E a VooDoo não para! O Ritual prossegue! O Bonde ruma!

Janeiro tá aí acontecendo. Vem com a gente nesse ano que promete muito!

 

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4 janeiro

Renato Arcanjo e o Baile Charm de Madureira

No Festival Back2Black, na noite do Baile Charm de Madureira, encontramos um gaúcho que reside no Rio de Janeiro desde 1994, e que desde então frequenta os bailes de Charm na cidade. Hoje em dia, Renato Arcanjo é considerado um dos menestréis destes bailes. Dr. Caiaffo conversou com ele e você tem, abaixo, a transcrição deste papo. Aproveite!

“Uma das razões que fizeram eu fixar berço aqui foi a música. A black music, sem a menor sombra de dúvida. É uma coisa que eu já gostava lá em Porto Alegre e não tinha espaço. O máximo que eu escutava lá era um Earth, Wind & Fire, um Prince, e adorava quando tocava na rádio. Mas era o máximo que se tinha. Aí eu lembro que, num dia de chuva aqui no Rio, a gente não pode sair do Centro da cidade e eu fiquei ali pelo Centro, e aí fiquei perto do Bola Preta e comecei a escutar este tipo de música. Aí fui lá, subi, e era um baile de negrão, só tinha negrão, eu era o único branco que tinha lá. Todo mundo me olhando estranho pra caralho. Pô, mas era a minha música, não é? A música está associada à etnia da gente, eu tenho mistura como todos nós temos. Então, porra, eu me senti em casa mesmo sendo o único branco num baile que só tinha negrão. E aí foi o primeiro dia, foi o segundo dia, isso foi em 1995, foi o terceiro dia, o quarto dia, no quinto eu já estava dançando, me integrei com o pessoal, fiz amizade e, de lá pra cá, todas as quintas-feiras da minha vida, a não ser quando a minha mulher vai ganhar nenê, já temos quatro, eu frequento o baile que antes era no Bola Preta e agora é na Estudantina, e que tem as suas variações originárias lá no Vera Cruz, onde começou esta história toda, tem no Disco Voador, lá em Marechal Hermes, e no Viaduto Negrão de Lima, em Madureira. Então é um baile que está espalhado pela cidade, ele nasce na periferia, na região de Madureira, e vai se espalhando pelo Rio de Janeiro. E aqui a gente vê este movimento hoje, crescendo cada vez mais, é difícil porque a mídia é muito forte pra música branca, pra música comercial, pra música descartável, uma questão eminentemente financeira, mas a gente costuma dizer o seguinte: a gente aprendeu música, lá nos nossos primórdios, com os índios e os negros contando histórias para os seus filhos através da música, as mães embalando seus filhos e cantando, não é? Então a música tem uma origem muito importante, está associada à alma da gente. E pra quem gosta de música, gosta de black music, gosta de dança, é o espaço que a gente encontra pra manifestar aquilo que tem de mais forte dentro da gente.”

Dr. Caiaffo e Renato Arcanjo, no Back2Black Festival

“O baile de Charm é uma característica bem carioca. Ele nasce lá em Vera Cruz, nos bailes de Vera Cruz, e nasce com estes caras que estão tocando agora, que são o Corelo e o Fernandinho, que são dois DJs aficionados pela black music, e que lá nas décadas de 70 e 80 eles começam a tocar este tipo de música, influenciados por Earth, Wind & Fire, Marvin Gaye, esta turma toda. Aí começam estes bailes com a soul music. Começa a Motown, estas coisas todas, então começa um movimento aqui no Rio de Janeiro com estes dois DJs, Corelo e Fernandinho. E o nome baile de Charm vem pelo tipo de vestimenta. Eles buscam com este baile resgatar a cultura negra, resgatar o negro presente na sociedade através de uma das coisas que ele tem de bom, que é a música, o swing. Aí o que acontece? Com este resgate de autoestima do negro, então o próprio DJ influenciava pra ele se vestir bem, pra não estar maltrapilho, relaxado, de bermuda, ele tem que se vestir bem. Então, o que aconteceu? Nestes primeiros bailes de Charm, o pessoal começava a ir bem vestido, não tinha este nome, baile de Charm, mas – por conta desta autoestima resgatada –, inclusive na vestimenta, porque o pessoal ia de gravata, bacana, conforme os cantores americanos da década de 70 também, cantando de gravatinha, todo mundo bacana, então isso foi reproduzido aqui. Então o que aconteceu? Porra, o negrão tá charmoso… A vestimenta do pessoal e o estilo do pessoal dançar aquela black music com todo o swing, isso acabou dando o nome de baile de Charm, que tem a origem no R&B e na soul music basicamente. Ainda não tem aí, ainda é muito longe do hip-hop. Tanto é que o pessoal do Charm, se tu falas em hip-hop, eles ficam meio malucos, não gostam muito. Estão começando a aceitar mais só agora. Mas o baile de Charm tem este histórico, ele começa, ganha este nome através da vestimenta e do estilo de música pro negrão dançar, e acaba difundindo. Ele passa pelo Disco Voador, lá em Marechal Hermes, ele passa pelo Bola Preta, aí ele ganha uma força muito grande no viaduto Negrão de Lima. Por quê? Principalmente porque lá é um berço da música negra, é samba, é pagode, é chorinho, ou seja, é o Charm, é a soul music… aquela comunidade daquela região da Zona Oeste do Rio de Janeiro tem a música na veia, porque é uma comunidade basicamente de negros, entendeu? E cantam, e dançam, e tem sarau, e tem feijoada, tem pagode pra tudo quanto é canto. Quer dizer, a música está presente nas esquinas, quando estão fazendo um churrasquinho, entendeu? Então por isso que lá deu muito certo, porque lá o pessoal tem muita necessidade desta manifestação e tem isso no sangue. E ainda teve o apoio da Prefeitura, teve o apoio das rádios, teve o apoio dos DJs, porra… a entrada lá é R$1,00!! Ou seja, é uma entrada simbólica. Ele quer realmente integrar a comunidade pobre, trazer ela pra se divertir, pra brincar com aquilo que ela mais gosta. Por exemplo: aqui, o que é que está acontecendo hoje? O ingresso foi R$90,00 à guisa de black music, de integração, mas o que é que aconteceu? Foi todo ele patrocinado, não poderia ser mais barato pro pessoal de baixo poder aquisitivo ter uma maior presença? Isso aqui poderia estar mais cheio e com gente que realmente gosta, só que eles não puderam vir por conta disso, entendeu?”

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QEc5FVXeNgU] Baile Charm do Viaduto de Madureira (CULTNE – Acervo Digital de Cultura Negra)

“O interessante da black music é o seguinte: não tem como não fazer sucesso. Por exemplo, se a black music estivesse associada às gravadoras, às grandes gravadoras, ela arrebentava no mundo. Por quê? Porque ela é a única que tem uma característica 100% dançante. É impossível ouvir sem se mexer, entendeu? É só a música negra que tem isso. Não é porque o negro tem três bolas, não… é porque é a característica dele, porra! A música clássica não sai do negro, a música clássica é bonita pra caralho, mas sai de nórdicos. Então eu não vou querer que saia música clássica de negrão. Eu não vou querer também que saia de branco um swing destes que está tocando aqui, agora. Então é uma questão de respeito às características das etnias e das raças. Só que, como é coisa de negro, parece que é uma coisa menor, que o negro é uma coisa menor. Mas é todo mundo gente igual. A diferença que tem é das características, cada raça tem a sua habilidade. Negro tem a sua habilidade e a música negra tem isso, tem swing, é impossível ouvir sem dançar. E a gente nota o seguinte: praticamente todas as pessoas que estão no baile estão querendo dançar, elas olham quem está dançando e têm vontade de repetir, só que não conseguem. Não conseguem por quê? Porque isso não está num lugar comum do dia-a-dia. Se esta música estivesse num lugar comum do dia-a-dia do branco, ao invés de ser somente aquela música mecanizada, ele estaria sambando um pouco mais ao invés de ficar batendo pé e dando soco no ar. Ia ser uma coisa um pouco menos agressiva e um pouco mais swingada. Embora falem que tem agressividade por parte das comunidades negras, isso não, o negro é menos agressivo que o branco na sua origem. Então falta um pouco de black music pras pessoas sacudirem um pouquinho o rabo e deixar esta moral de cueca de lado, que é muito característica da nossa área lá… eu tive oportunidade de conhecer todos os municípios do Rio Grande do Sul, sem exceção, e eu me lembro uma vez, chegando de caminhão com o motorista da Caixa em algum lugar que eu não vou citar o nome, mas veio um monte de criança, ele era negro, e apontavam pra ele dizendo “negro, negro, negro”….então era uma novidade um negro naquela cidade, porque as pessoas pareciam não conhecer sequer um negro ao vivo. Nunca me esqueço porque o negrão não sabia onde se meter, porque era daqueles negros que alisava o cabelo, ou seja, também era um negro preconceituoso. Então todo este preconceito que está espalhado por tudo quanto é canto, eu tenho certeza absoluta, se a gente tivesse um pouco mais de proximidade, através da música, com a cultura negra, se expandisse isso, isso contribuiria, sem dúvida nenhuma, pra diminuir um pouquinho do preconceito existente.” 

“Eu, por exemplo, eu sou casado, tenho quatro filhos, por isso eu não posso estar circulando pelos bailes da cidade. Eu já fico feliz da vida pela minha mulher me liberar pra este baile. Então eu vou ao baile sozinho e ela sabe que eu vou pra dançar. Pra mim, dançar é um processo praticamente espiritual, ou seja, um culto. É uma relação energética maravilhosa. As coreografias [do Baile Charm de Madureira], elas nascem também da coreografia da black music, do Michael Jackson, desta turma toda. E aqui o que é que ocorre? Estas coreografias, por exemplo, tem muitas minhas, tem outras de outros amigos lá de Madureira, muitas do pessoal de Marechal Hermes, estas coreografias, elas vêm há anos. E tem uma turma nova que vai chegando, vai criando outras, eu mesmo já enchi o saco de criar, eu não crio mais, eu deixo os outros criarem. Então toda hora tem gente chegando nova, molecada nova chegando cheia de tesão e criando coreografias. O que eles fazem? Eles treinam em casa, um, dois, três, e levam pro baile, botam pro grupo, o grupo aceita e sai dançando, daqui a pouco isso vira febre na cidade toda. E é interessante! Eu, por exemplo, uma grande parte do pessoal que está aqui, a grande maioria é do baile do viaduto. Eu, particularmente, tenho ido pouco lá. Eu vou na Estudantina. Mas eu ponho as coreografias da Estudantina aqui e sai todo mundo dançando. É muito de característica. Sempre dá pra notar que tem uma ou outra liderança que se destaca pra puxar as coreografias, não é? Como eu já tenho bastante tempo de estrada, você sabe que o diabo é mais temido por ser velho do que por ser diabo propriamente dito, não é? Então a experiência conta pra algumas coisas. Então eu já sou respeitado como menestrel da dança pelo pessoal. Então a gente chega no baile, porque muito desta molecada aprendeu a dançar com a gente… então estas coreografias a gente põe e a maioria vem atrás porque já conhece. Quem não conhece vai fazendo um passinho e outro e vai pegando. Mas estas coreografias estão espalhadas pela cidade. Todos os bailes são praticamente as mesmas coreografias, e tem mais de quinhentas. O local de aprendizagem é no baile, é um troço muito bacana. Eu lembro quando eu comecei… tem que chegar humildezinho, ficar lá no fim. O cara que é malandro fica lá na frente puxando a coreografia… quem sabe mais fica na frente. O pessoal que fica lá na rabeira vai aprendendo, vai aprendendo, aí vai embora, vai sendo promovido, tem toda uma relação hierárquica nestes bailes, que a gente, às vezes, passa desapercebido, mas tem toda uma relação também hierárquica. Ou seja, quem dança há mais tempo, quem dança bem, tem uma empatia maior com o pessoal, esses acabam fazendo com que o pessoal repita suas coreografias. Tipo assim: o cara chegou, não dá pra se meter, deixa o cara puxar a porra do baile, entendeu? É mais ou menos assim.”

Fonte: Blog Black Paradise (http://maurycio.wordpress.com/)

“Tem um funk que diz assim: qual a diferença entre o Charm e o funk? Então tem um respeito muito grande. Tem tudo. O que ocorre? Pelo fato do pessoal do Charm ser mais cascudo, do Charm, ele nasce com o pessoal mais de meia idade e a molecada vem atrás. Então ele tem um respeito maior. As coreografias do Charm são mais difíceis que as do funk, muito mais. Então isso também faz com que o pessoal respeite. Ou seja, a questão da dança é esta questão dos duelos mesmo. Quem produz mais, toma conta, acabou. Então tem este respeito muito grande do pessoal do funk pelo pessoal do Charm. O funk é a música eletrônica do Rio de Janeiro. Não tem diferença nenhuma, entendeu? Tem um pouco de batida diferente, mas o próprio DJ Marlboro costuma dizer que o funk é a nossa música eletrônica. A mesma coisa, não tem diferença nenhuma. A diferença que tem entre as comunidades é que a comunidade do funk é muito grande, ela está presente em todos os morros e o Charm não. Charm não é a dança do moleque, Charm é a dança do pai do moleque. O moleque que participou do funk hoje, quando ele estiver lá com seus trinta, trinta e poucos, ele vai curtir o Charm. O filho dele, os filhos dele, ou seja, é uma progressão mais geométrica do que aritmética, os filhos dele, ou seja, a comunidade do funk é muito maior por causa da molecada. Tem muito mais moleque do que velho, entendeu? Então esta é a razão principal pra comunidade ser maior. Outra questão fundamental: o funk já está na mídia há muito tempo, na mídia particular, mas na mídia da comunidade, na mídia do gueto, na rádio lá da própria comunidade. O pessoal quer invadir mesmo, o pessoal aqui no Rio é muito atrevido, e isso é bacana, ele quer invadir, ele quer tomar conta, ele não aceita submissão. Isso, de uma forma geral, todo mundo até aceita, mas não é muito como o negro gaúcho, que aceita esta submissão diante do branco, entendeu? Então ele quer se manifestar… não só se manifestar, porra, ele quer ser ouvido também! Então ele vai pra guerra pra ser ouvido! Esta é uma diferença muito grande. Por isso que o funk consegue atingir um número maior, porque a comunidade é mais organizada, é molecada e é mais aguerrida. Por consequência, não dá pra comparar a força do idealismo de um adolescente com um coroa de trinta e poucos anos que tem que alimentar os seus filhos. Então esta é a diferença entre o Charm e o funk. “ 

“A nata é a Lapa, malandro. A Lapa é uma maravilha, é uma explosão de black music. Eu, no sábado passado, fui com a minha filha, que tem 13 anos, é a mais velha, e ela queria assistir RAP, então teve uma apresentação de seis bandas de RAP, Negra Li, o Marechal, que eu conheci lá, bom pra caralho, então eu fui lá com ela. Cheguei lá às onze hora e saí de lá às 5 da manhã. Uma maravilha pujante! Pujante! A Lapa, no início da Mem de Sá, próximo ali ao Asa Branca, tem pelo menos uns 10 bares, um do lado do outro, com todo o tipo de black music que tu podes imaginar. Ela começava no Asa Branca com o Charm, com uma música negra, com samba, agora tem muito forró, mas aí em seguida é disco music, é afro music, é samba, é pagode, é chorinho, é RAP, é hip-hop pesado, é Charm… e é interessante que este complexo está aumentando porque o Centro do Rio está enriquecendo. Por exemplo, a Estudantina fica na Praça Tiradentes, que fica integrada à Lapa pela Lavradio. E isso tá fechando! A Praça Tiradentes hoje está arrumada, tá limpa, e sempre foi um pólo cultural, tem teatros, tem centros culturais, tem música, então isso está integrando. A Lapa, de uma forma geral, indo até a Praça Tiradentes, aquilo ali vai ser o reduto da divergência musical, que tem por grande força a black music.”

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ONBNOXqnEvQ]

 

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5 outubro

Back2Black Festival: ajudando a ativar a cena da música negra no Brasil

- Porém, com baixa presença da comunidade negra -

Por Dr. Caiaffo

Caiaffo e ASA

Sistemas de som de primeira linha, distribuídos nos palcos principal e secundário, bem como na lona de circo armada para receber os DJ’s, amplificou o que pretendia ser uma mostra contemporânea senão do melhor, pelo menos de uma parcela representativa do que vem sendo a produção musical negra no Brasil e no mundo. E realmente foi uma mostra absolutamente digna: tanto no palco principal quanto no palco secundário, tivemos a oportunidade de ver ao vivo novamente ou de conhecer algumas atrações bastante bem selecionadas pela curadoria do festival. Por ordem de preferência, destaco no palco principal. ASA – pronuncia-se “asha” – apresentou um show fantástico de soul music; extremamente carismática, com uma linda voz e uma banda competentíssima, a francesa – filha de nigerianos, que atualmente reside em Lagos/Nigéria, desfilou prioritariamente as composições do seu excelente segundo álbum, chamado Beautiful Imperfection. Falaremos mais sobre ela em nova postagem, pois foi uma das únicas entre os artistas principais que circulou fora do ambiente ultra-restrito reservado aos artistas do palco principal, e honrando a tradição de Fela Kuti, que considera uma das suas principais influências, concedeu-nos uma entrevista não somente sobre sua música, mas também sobre a política nigeriana e mundial. Em seguida, destaque para a excelente performance do new soulman Aloe Blacc, que quase colocou a Leopoldina abaixo com composições prioritariamente de seu novo álbum, Good Things. Também acompanhado de uma banda fantástica, o californiano provou ao vivo o porquê de ser considerado um dos principais nomes da música negra na atualidade, homenageou Bob Marley num reggae super grooveado e foi às lágrimas no bis, ao homenagear sua terra natal numa versão linda de California Dreamin’. Destaque para I Need a Dollar, cantada em uníssono pelo público presente. Do Mali, a diva Oumou Sangaré fez um show fantástico, misturando instrumentos elétricos com instrumentos tradicionais africanos, apresentando um repertório que flerta tanto com os afrobeats quanto com as canções e ritmos mais tribais e locais. Impressionante a sessão percussiva que, contando somente com um músico nos tambores, parecia encher a casa com uma batida contagiante. Mesmo caso dos também malineses do Tinariwen, banda de tuaregs do norte do Saara: um tocador de tambor, adornado por instrumentos harmônicos de corda, preencheu a estação com batidas contagiantes, numa pegada mais étnica do que propriamente grooveada. Destaque também para o show da Macy Gray, que mostrou porque é diva e admirada por muitos dos que curtem a música black: um show bem animado e com a melhor sonoridade, espalhafatoso no ponto certo e que botou geral pra dançar. Jorge Ben fez o que sabe fazer há anos e não há o que dizer do repertório: poucos são os músicos nacionais que conseguem encadear sucessos como ele consegue, mantendo um pique dançante e uma atmosfera festiva. Destaque, neste show, para a longa participação de Will Calhoun, baterista do Living Colour, que subiu no palco e deu uma contribuição impagável no swing da banda.

Chaka Khan

Duas das atrações principais decepcionaram um pouco: a diva Chaka Khan e Seu Jorge & Almaz. Chaka Khan, na minha opinião, foi prejudicada pelo volume relativamente baixo para um lugar tão grande, ainda mais porque desfilou um repertório clássico de disco music. Ela merecia um ambiente mais esfumaçado e um som no talo, como o gênero disco me parece solicitar. O show me pareceu sem groove, sem pegada, e o público permaneceu mais frio do que eu esperava. Seu Jorge & Almaz também: embora o disco seja fantástico, me parece ter um formato mais intimista, cheio de efeitos e detalhes. Não deu muito certo no formato festival, embora deva ser uma das melhores coisas a se ver em palcos pequenos e fechados, ou mesmo em teatros. A fadista portuguesa Ana Moura, que Gilberto Gil tentou salvar, foi um convite definitivamente equivocado.

Não vou me estender sobre as atrações do palco secundário, mas vale sugerir que todos procurem informações sobre os trabalhos da banda Tono, de Domenico Lancelotti e de Moreno Veloso. No geral, porém, foi um palco onde circularam, em diferentes bandas, uma mesma geração de músicos cariocas na minha opinião mais identificados com a música popular brasileira do que com a música black, e por isso provavelmente pouco representativo em se tratando do que está sendo produzido de música negra no Brasil, atualmente. Nomes como Criolo e Emicida, por exemplo, e mesmo o nosso gaúcho Tonho Crocco teriam feito uma presença bem mais marcante e significativa. Passaram por ali B-Negão e Jards Macalé, atrações que mereceriam mais destaque do que como meros convidados. Isso num país que ainda tem Gérson King Combo, Hyldon, Bebeto, Banda Black Rio, Funk como Le Gusta e tantos outros na ativa… e uma nova geração produzindo afrobeat da melhor qualidade.

Caiaffo e DJ Marlboro

A lona de circo abrigava as festas, que começavam tão logo o último show da noite terminava no palco principal. E o bicho pegou: Nepal junto com Pathy de Jesus, DJ Cia, DJ Marlboro e os DJs do Baile Charm do viaduto de Madureira literalmente tocaram fogo no circo, do soul ao funk carioca, passando pelo hip-hop e pela disco music, sempre com repertórios invejáveis e mixagens competentíssimas. Com a ajuda da cervejinha, destilamos muito suor junto com o povo que prestigiou a lona. Charles Gavin também fez uma selecta super competente de música preta brasileira, mas não animou muito por conta da presença ainda baixa de público quando fez seu set. Perdemos o segundo dia da lona porque fomos convidados por mestre Peixinho a estar no camarote de um dos patrocinadores do evento junto com PC Capoeira e a Velha Guarda do Soul, e a birita 100% liberada… desculpem, mas a gente também é filho de Deus. Aguardem que, depois destes dias na lona do circo, muita coisa boa pode cair pra Porto Alegre!

Fora isso, belos encontros: cruzamos com o pessoal da Abayomy Afrobeat Orchestra, da Stereo Maracanã, da Supergroove, com DJ’s da Soul, Baby, Soul!, da Makula e da Blax, com a Velha Guarda do Soul e outros tantos amigos e amigas, novos ou de datas. Conhecemos o pessoal do Baile Charm de Madureira e entrevistamos um de seus frequentadores mais antigos, verdadeira aula sobre o baile e o estilo no Rio. Bem bacana.

O festival tinha também uma dimensão mais cultural, e propôs debates no início da programação de todos os três dias. As discussões foram interessantes – considerações e análises sobre os conflitos no norte da África, formas de resistência na atualidade, mídias sociais, ecologia e tantos outros temas atuais foram abordados por nomes representativos da cultura nacional e internacional –, mas confesso que o ambiente era inadequado, a falta de tradução simultânea deve ter prejudicado muita gente, assim como o valor dos ingressos. Valeu a intenção, mas a sugestão é de que as discussões sejam ampliadas e realizadas em outro ambiente, gratuitamente, fora do horário reservado aos shows e às festas e com mais possibilidade de participação ativa do público.

A única, porém grande, crítica que faço ao festival diz respeito à baixíssima presença da comunidade negra, que é considerável não somente no Rio de Janeiro, mas também no Brasil. No geral, os negros estavam uniformizados, ou seja, a trabalho. Conversando com amigos e amigas da cidade, eles relataram um movimento grande de repúdio ao valor cobrado pelos ingressos, e acreditam que este foi o fator que marcou esta divisão social entre frequentadores do Back2Black e a comunidade negra local. Fica a sugestão: que tal operar valores mais baixos nos próximos, e assim tentar promover uma integração real, ou – alternativamente – promover ações e shows descentralizados pela grande área de subúrbios e periferias do Rio de Janeiro e de sua região metropolitana?

No geral, valeu muito. Um festival muito bacana que ajuda a ativar a cena da música negra no Brasil, com curadoria interessante, bem produzido, instrutivo e divertido. Creio que qualquer crítica venha no sentido de contribuir com a continuidade da idéia, e não de desqualificá-la total ou parcialmente. Espero poder voltar ao Rio de Janeiro no próximo, ano que vem, e que algumas das distorções que ficaram tão evidentes possam ser corrigidas para o bem do evento e pela integração real de todas as raças no entorno do contexto de produção cultural e política que envolve o problema da negritude no Brasil. E aconselho que vocês, nos limites do possível, venham com a gente!!!

Arrisco uma sugestão de atrações para palcos principal e secundário:

Palco principal:

(Dia 1) Saravah Soul, Seun Kuti & Egypt ’80 e Ebo Taylor.
(Dia 2) Racionais MC’s, M.I.A. e Jay Z.
(Dia 3) Gérson King Combo, Hyldon e Toni Tornado, Charles Bradley e Spanky Wilson.

Palco secundário:

(Dia 1) Abayomy Afrobeat Orchestra, Bixiga ’70 e Tonho Crocco & Partenon ’70.
(Dia 2) B Negão, Emicida e Criolo.
(Dia 3) Funkalister, Supergroove e Funk como Le Gusta (com Paula Lima).

De resto, sigo passando informações aos poucos pra vocês e, tão logo seja possível, o resultado das entrevistas que fizemos durante o evento. Acompanhe o blog da Equipe VooDoo, envie suas sugestões de pauta e também suas contribuições sobre o que a gente publica aqui através de nosso e-mail!!

Meu forte abraço.

 

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9 setembro

Fotos do Ritual VooDoo 21

Em grande estilo o Ritual VooDoo de agosto.

Com aniversários de integrante da equipe, de frequentadores, de amizades outrora no pago e ora distantes do nosso dia-a-dia… e a despedida da residência do Dr Caiaffo. Foi lindo, como de costume, com participação massiva da bonecada, curtição e diversão pura e honesta. Presença reincidente da chuva, que parece não querer perder uma noite de VooDoo, a qual parece também não arrefecer nadinha nossa gana pela energia black e safada. ;)

Como sempre, os também reincidentes DJ’s Fred e Mause engordaram a emissão de ondas sonoras. Muita pedrada e mais uma noite inesquecível, com grandes presenças, grandes momentos, grandes brindes e grandes homenagens. Uma grande noite com casa cheia de gente bonita; um Ritual como todos os outros: totalmente inesquecível e único, como tu podes ver nas fotos do Peter Krause, no nosso Flickr.

Mas atenção total na próxima atração VooDoo, rapaziada! Dia 01/09 tem FUNK COMO LE GUSTA no Bar Opinião, no lançamento do disco “Cura pelo som”. Ingressos já à venda nas Lojas Trópico, na Lancheria do Parque e na DonutsShop, com o primeiro lote a 25,00. É o Projeto Noite VooDoo Convida; luxo e alto astral sem comparações. Em breve o serviço completo aqui mesmo no blog (que inaugura hoje endereço renovado, mais enxuto!).

E te prepara que vem muito mais por aí. O restante de 2011 (agosto, já? bah!) ainda há de nos proporcionar momentos emblemáticos pra Capital Farroupilha. Nos aguarde. E não duvide!

Groove na cabeça!

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Poster: ritualvoodoo. Category: fotos. Tags:, , , , ,
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17 agosto